Opinião

  • 13/06/2018

    A proposta do BB para a Cassi é uma provocação aos funcionários

    A hora é de resistir à truculência do BB e rejeitar a proposta que penaliza os associados.

    O Banco do Brasil tem obrigado executivos e superintendentes a fazer reuniões com os funcionários ativos e aposentados para dizer que, se não aceitarmos a proposta dele, banco, a Cassi quebra e sofre intervenção da Agência Nacional de Saúde (ANS). O banco espalha o terrorismo e apavora os associados para que estes aceitem aumentar as próprias contribuições e reduzir as contribuições do banco com a saúde de seus funcionários.

    Sou contra a proposta do banco pelos seguintes motivos.

    1. O BB quer aumentar definitivamente a contribuição dos associados para 4%, manter a patronal em 4,5% e depois igualar as duas, aumentando os associados até 4,5% no futuro.

    2. O banco quer implantar contribuição por dependente, aumentando as despesas para quem tem filhos, esposa ou esposo. Esta proposta quebra a regra básica da Cassi, de contribuições por percentual de salário, e penaliza mais quem ganha menos. A maioria dos que têm dependentes vai pagar 8% de seu salário e não mais os 3% atuais, pois o banco propõe este percentual como teto de contribuição.

    3. O banco ainda pretende aumentar o valor pago como coparticipação em consultas e exames. Na prática, quem precisa usar a Cassi frequentemente vai pagar cerca de 10% de seu salário mensalmente. Se somarmos as contribuições à Previ, Cassi, INSS e Imposto de Renda, as faixas salariais mais baixas deixarão 1/3 de seu salário nestes descontos.

    4. Em troca de tudo isto, o banco propõe assumir parte das despesas administrativas e “subsidiar” a contribuição por dependente para os ativos. Um subsídio que, por não ser estatutário, será retirado em seguida, se conseguir empurrar a proposta goela abaixo.

    5. O BB quer passar a perna nos funcionários. Em vez de negociar com os Sindicatos e entidades representativas, leva a proposta à diretoria da Cassi e dá prazo de um mês para aceitarem sua “proposta”. Lá, tem os votos dos diretores e conselheiros indicados por ele e, quem sabe, do novo diretor e conselheiros que ajudou a eleger em abril.

    6. Para aumentar a pressão, o banco divulga edital de concurso sem oferecer plano de saúde aos futuros funcionários e está se preparando para não custear a Cassi para aposentados.

    7. O banco só não está levando em conta que a maioria destas propostas precisa ser aprovada pelo Corpo Social, numa votação em que a maioria dos associados precisa comparecer e, destes, 2/3 precisam votar a favor da proposta.

    8. Se o banco quiser passar o trator sobre os funcionários será derrotado. Aos Sindicatos e entidades restará fazer campanha contra a proposta. A direção do banco terá de aceitar a realidade: sem negociar, sem aumentar as contribuições patronais, não tem acordo.

    9. A hora é de resistir à truculência do banco e rejeitar a proposta que penaliza os associados.

    José Sasseron