Financiários

  • 04/05/2018

    Financiários finalizam minuta de reivindicações para 2018

    3° Conferência Nacional dos Financiários aconteceu nos dias 03 e 04 de maio, em São Paulo.

    Fotos: Contraf-CUT

    A 3ª Conferência Nacional dos Financiários definiu, nesta sexta-feira, 04 de maio, a Minuta de Reivindicações que deverá ser apresentada à Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi), no início da Campanha Nacional 2018 da categoria, que tem como data base 1º de junho.

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    Jair Alves, coordenador do coletivo das financeiras, revela que o objetivo é manter a atual Convenção Coletiva de Trabalho, com ajustes. “Esta será a primeira negociação após a Reforma Trabalhista. Por isso temos que garantir a manutenção dos nossos direitos, com garantias de que a nova lei não nos afete.”

    Para Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, a grande batalha desse ano vai ser dialogar com os trabalhadores sobre o quanto as eleições são estratégicas. “Nós queremos manter nossos direitos ou queremos perder ainda mais direitos? A nova lei trabalhista trouxe uma série de prejuízos para a classe trabalhadora e nós não vamos resgatar isso se não mantivermos a democracia, o direito de manifestação popular. A gente precisa dizer isso para os trabalhadores. Está na hora de unir a classe trabalhadora, pois juntos somos mais fortes.”

    Macrossetor


    O primeiro painel do dia tratou sobre a organização do Macrossetor de Serviços, tema de reunião realizada com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no dia anterior. 
    O Macrossetor de Serviços é um dos quatro criados pela CUT para fortalecer lutas e ações comuns dos trabalhadores. “Depois da aprovação da Reforma Trabalhista, que retira inúmeros direitos dos trabalhadores, o momento nos obriga a respeitar nossa organização e focar nossos esforços na organização de base. Precisamos estar juntos aos nossos sindicatos e aos nossos trabalhadores da base. O Macrossetor assume uma relevância ainda maior neste momento, após a nova lei”, resumiu o presidente da CUT Nacional, Vagner Freitas.

    Em síntese, os principais temas que afligem todas as categorias é a terceirização, saúde e condições de trabalho, Reforma Trabalhista e os avanços tecnológicos. Está claro também que todas as entidades sindicais reconhecem que houve um golpe, que ainda está em andamento, pois vai muito além da derrubada de uma presidenta democraticamente eleita, ele vai contra os direitos dos trabalhadores e contra a democracia.

    “É necessário debater o Macrossetor, pois os trabalhadores precisam de amparo. É preciso romper as barreiras que existem entre as categorias e representar a classe trabalhadora como um todo, já que ela é a mais prejudicada com a terceirização, com problemas de saúde e condições de trabalho precários e com a Reforma Trabalhista”, resume Katlin Salles, diretora do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região. 

    Emprego
    A tarde, Catia Uehara, economista do Dieese baseada no Sindicato dos Bancários de São Paulo, apresentou um estudo sobre o emprego nas financeiras. A Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (Rais/MTE) registrou a existência de 5.624 financiários em dezembro de 2016. Essa categoria de trabalhadores representa 0,7% do total do emprego no sistema financeiro formal (853.575).

    Quando se observa a evolução do emprego no setor financeiro no período compreendido entre 2006 e 2016, nota-se que os financiários tiveram aumento de 17,3% no emprego, passando de 4.796 trabalhadores em 2006 para 5.624 em 2016. Tal crescimento foi inferior à média observada para o Sistema Financeiro (28,7%).

    Por outro lado, as financeiras aumentaram significativamente a contratação de correspondentes bancários no período. Em dezembro de 2007, as financeiras haviam contratado 4.134 correspondentes bancários. Em dezembro de 2016, esse número subiu para 34.568, representando aumento de 736,2%. 
    A remuneração média dos financiários aumentou 15,5%, em termos reais, entre 2006 e 2016, ganho superior àquela percebida na média do Setor Financeiro (7,6%).

    Quanto ao perfil, os dados dos Registros Administrativos do Ministério do Trabalho e Emprego, demonstram que as mulheres são maioria (57%) entre os financiários, porém, recebem remunerações, em média, 31,9% inferiores à dos homens.

    Minuta de reivindicações


    No encerramento da 3ª Conferência Nacional dos Financiários, os representantes dos trabalhadores finalizaram a construção da Minuta de Reivindicações 2018, que será encaminhada às assembleias de todo o Brasil nos próximos dias. “Apesar da conjuntura desfavorável, a Campanha Nacional dos Financiários tem uma grande importância. Por isso, a Contraf-CUT e seus Sindicatos saem fortalecidos deste encontro, prontos para iniciar mais este desafio junto aos trabalhadores financiários”, destaca Katlin Salles.

    Segundo a dirigente sindical, o principal objetivo da Campanha Nacional 2018 é manter os direitos e benefícios conquistados com muita garra ao longo dos anos. “A cada ano, a Conferência dos Financiários vem crescendo na participação das representações e avançando na qualidade dos debates específicos do Ramo Financeiro, o que nos deixa muito otimistas para conquistarmos mais”, acrescenta. 

    “Os financiários do estado do Paraná precisam se engajar nesta luta, participando ativamente das instâncias de deliberações e dos atos para que juntos consigamos avançar”, completa Eliane Fontana, diretora do Ramo Financeiro na Fetec-CUT-PR.
    Renata Ortega SEEB Curitiba, com informações da Contraf-CUT