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  • 19/06/2017

    Resistência ao golpe precisa de planejamento de longo prazo

    Desafios e perspectivas foi o tema da terceira mesa do Congresso Extraordinário da CUT Paraná.

    Os movimentos sociais precisam estar preparados para uma resistência de longo prazo para o golpe de 2016 e suas consequências. Esta é a avaliação da presidenta da CUT Minas Gerais, Beatriz Cerqueira, durante a mesa que debateu os desafios e perspectivas para os próximos anos no final da tarde desta sexta-feira (16).

    “Nós precisamos internalizar, em nosso cotidiano, que esta será uma luta de longo prazo. Ninguém nesta sala, por exemplo, pode garantir que 2018 acontecerá. Eles não deram o golpe para passear em Brasília. Foi para ter impacto nas próximas gerações. Estamos falando de um ciclo de 20, 30 ou 40 anos. Esta é a aposta que eles estão fazendo”, analisou Beatriz.

    Mas, para isso, o planejamento de luta deverá avaliar todos os momentos. Tanto no curto, quanto no médio e ou no longo prazo. De acordo com ela, o próximo desafio já está posto. É a próxima grande mobilização prevista para o dia 30 de junho.

    “É fundamental que uma vez convocada a próxima greve geral ela seja a das nossas vidas. Se fizermos um dia 30 menor ou com menos impacto que a do dia 28 de abril entraremos em um ciclo muito complicado”, projetou a presidenta da CUT Minas Gerais.

    Beatriz enumerou uma série de desafios que a esquerda e os movimentos sociais precisarão enfrentar. A Reforma Trabalhista, sem dúvida, é uma das principais dela e isso também passa pela comunicação. “Fizemos esta disputa com a Reforma da Previdência e por isso ela ainda não foi votada. O governo mudou a tática para a trabalhista e nós não conseguimos dar o cavalo de pau necessário. Precisamos furar a bolha. Se não fizermos isso corremos o risco de ver os parlamentares que retiraram nossos direitos serem eleitos novamente.

    Cenário internacional –
    Diretor da Confederação Sindical das Américas (CSA), Rafael Freire, reforçou que este cenário de retirada de direitos não é algo exclusivo do Brasil, mas faz parte de uma conjuntura internacional. Segundo ele, trata-se da terceira onda neoliberal pela qual passa o planeta. Depois do primeiro momento com Tatcher e Reagan, na Inglaterra e nos Estados Unidos respectivamente, a segunda onda veio com força na década de 90 até chegar ao terceiro momento que é o atual, iniciado com a crise de 2008.

    “O que enxergamos a partir deste ano? Mais guerra, mais xenofobia, mais ataques aos direitos, mais conservadorismo. A volta do pensamento de estrutura facista. A crise dos refugiados na europa é uma prova disso. Mas precisamos pensar uma saída para o capitalismo”, afirmou.

    De acordo com Freire, havia a sensação de que mesmo sem um programa elaborado, seria na América Latina a possibilidade de construir algo após o sistema neoliberal em virtude da forte presença de governos progressistas na região. “O problema é que nesse período todo que tivemos do capitalismo aconteceu um deslocamento de poder muito forte. Passou dos estados e nações para grupos econômicos muito fortes. Hoje 16 grupos econômicos controlam o comércio de 90% das comoditties do mundo, sejam elas agrícolas ou mineral”, comparou.

    Esse deslocamento, segundo Freire, fez com as grandes multinacionais tivessem um poder financeiro enorme. “Dez grupos têm o PIB maior que Estados Unidos e Japão juntos. Se há esse deslocamento, os estados e nações ficam à serviço destas elites econômicas e políticas que nós temos aqui”, completou.

    Elites oligárquicas – No Brasil as elites econômicas se constituem, em grande partes, de famílias que se apropriam do capital e do estado há décadas. Essa foi a análise do sociólogo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Oliveira.

    “Este é o golpe do antigo regime que ainda existe na sociedade nas instituições políticas. Os 10% mais ricos controlam 52% da renda no Brasil. É um índice não encontrado em nenhuma sociedade moderna com o desenvolvimento urbano que se aproxime de uma sociedade como a brasileira. O 1% mais rico domina 23.2% da renda”, alertou.

    “Para uma família permanecer com essa brutal concentração de renda é extremamente necessário o estado. Quando ele está no estado mínimo é o estado máximo da repressão. Veja o exemplo de Tatcher e Reagan nos anos 80. Eles elaboravam o maior orçamento para o complexo estatal militar. O melhor exemplo disso na América Latina foi o governo de Pinochet que desmontou a estrutura pública e investiu na repressão”, comparou.

    Segundo o professor, dados empíricos mostram que dois terços dos senadores pertencem à famílias políticas, operando em redes familiares empresariais. Na Câmara Federal esse índice chega a mais de 50%. “Basta entrar nos nomes. Rodrigo Maia, o Botafogo, pertence ao clã de família histórica que vem do nordeste. Seu pai, César Maia, foi prefeito do RJ e primeiro de Agripino Maia e do ministro do TJ, Herman Benjamim. Essas famílias históricas, em boa parte, possuem trajetórias no poder legislativo, no tribunal de contas, no executivo, cartórios e judiciários, além de pequenos e grandes grupos de mídia”, denunciou Oliveira.

    Ele ainda exemplificou com outas ligações, como o caso de Rodrigo Rocha Loures, envolvido no escândalo da mala de dinheiro. “Também é de uma família com 300 anos de poder em Curitiba, com base agrária escravista no séculos anteriores”, recordou.

    Veja as fotos do Congresso clicando aqui.

    CUT Paraná

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