Geral

  • 25/10/2017

    Condições de trabalho ficam sem controle com a reforma

    Alterações na legislação impedem que o Sindicato fiscalize se direitos estão sendo cumpridos

    Durante o encontro do Coletivo Nacional de Saúde do Trabalhador da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), realizado ontem, 24 de outubro, no Espaço Cultural e Esportivo foi exposto, pela assessoria do Sindicato, os principais prejuízos trazidos pela reforma trabalhista.

    “ A reforma trabalhista vem ao encontro da sociedade de gestão, um sistema que tem no centro, o universo econômico, social e cultural ditado pela empresa. Transformando os trabalhadores para se sentirem tão responsáveis pelo lucro quanto o dono da empresa em que trabalham” alerta a Advogada do Declatra, Jane Salvador.

    Os métodos de gestão utilizados nos bancos baseiam-se em dados, números e cobranças de metas abusivas em um curto espaço de tempo, exigindo-se fazer cada vez mais e melhor, além de estimular a rivalidade entre colegas para ver quem vende mais. Com a reforma trabalhista agravam-se esses problemas e criam-se outros, como a falta de fiscalização em relação às condições de trabalho, e ao cumprimento do pagamento correto em relação às horas extras, uma vez que a legislação passa a permitir que se trabalhe de casa.

    “Com o tele-trabalho não será possível controlar o tempo do trabalhador, ou seja, será praticamente impossível cobrar o adicional noturno, por exemplo. Todas as normas que estabeleciam um limite para essas situações deixam de ter efeitos práticos, precarizando o trabalho e as condições de saúde do trabalhador, que se desdobrará em cumprir metas independentemente do horário” denuncia Vanderléia de Paula, secretária de saúde do Sindicato.

    Além do tele-trabalho, outros dispositivos da reforma, irão precarizar as relações de trabalho como a terceirização irrestrita, em que o trabalhador recebe menos e tem menos direitos, e o trabalho intermitente, em que o tempo de inatividade não será mais considerado à disposição do empregador, que passa a não pagar por esses períodos.

    “ Essas alterações impactarão diretamente na saúde dos trabalhadores, que vão perder sua qualidade de vida em troca de um subemprego. Os direitos dos trabalhadores são frutos de muita luta e não podemos permitir  esses retrocessos. Orientamos que procurem o sindicato e denunciem os abusos” finaliza a secretária de saúde.

    Camila Cecchin SEEB Curitiba