Geral

  • 14/11/2017

    Movimento sindical debate visibilidade negra nos bancos

    IV Fórum pela Visibilidade Negra debateu formas de construir um ambiente bancário com igualdade.



    Último país do mundo a abolir a escravidão, em 1888, o Brasil ainda é um país extremamente desigual, onde negros e brancos não encontram as mesmas oportunidades desde a escolarização até o mercado de trabalho. A Oxfam, entidade humanitária fundada no Reino Unido e hoje presente em 94 nações, que combate a pobreza e promove a justiça social, estima que negros e brancos brasileiros só terão renda equivalente em 2089, daqui a pelo menos 72 anos. Para debater essa realidade e fortalecer a construção da promoção da diversidade e igualdade racial nos bancos, foi realizado nos dias 9 e 10 de novembro, em Recife, o IV Fórum pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro.

    Foram debatidos em profundidade temas como as dificuldades para inserção e ascensão profissional de negros e negras nos bancos, além da desigualdade salarial no setor. Os bancários e dirigentes sindicais 
    Daniele Bittencourt Azevedo Perich, Vandira Martins de Oliveira e Ivai Lopes Barroso, da Fetec-CUT-PR, representaram os trabalhadores do Paraná no Fórum. 

    “O evento teve como objetivo promover o fortalecimento do debate sobre a construção da igualdade racial no Sistema Financeiro, que vem sendo pautado constantemente nas mesas de negociação com a Fenaban. Debatemos maneiras do movimento sindical enfrentar e combater todas as práticas discriminatórias, entendendo que estas favorecem principalmente aqueles que hegemonicamente detém o Capital a fim de concentrar riquezas”, resume Vandira Martins de Oliveira.

    Segundo a dirigente sindical, na questão da discriminação, é nítida a necessidade de avançar na visibilidade negra na sociedade e também no Sistema Financeiro. É preciso lutar por uma participação dos negros maior neste setor, que emprega apenas 24,7% de bancários negros, frente aos 54% de negros da sociedade brasileira. “Reafirmamos que lutamos por uma sociedade democrática, fraterna e igualitária – sem trabalhadores de segunda ou terceira classe. E temos certeza que isso só será possível de ser alcançado se houver igualdade de oportunidades para todos exercerem, de fato, a cidadania”, finaliza.

    Campanha
    A Contraf-CUT lançou, em 18 de outubro, a Campanha Nacional de Combate à Discriminação nos Bancos com o objetivo de valorizar os trabalhadores de todos os gêneros, raças e com deficiência. Idealizada pelo Coletivo de Gênero, Raça, Orientação Sexual e Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência (CGROS), em parceria com a Secretaria de Comunicação, a campanha visa informar sobre a importância de levar o debate sobre os valores humanos à sociedade como um todo, não apenas ao movimento sindical.“A nossa campanha é absolutamente oportuna, já que estamos num momento que o ódio apareceu com muita força, principalmente o ódio entre classes, nesse cenário de golpe”, destaca o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten.

    Leia mais:
    Bancários do Paraná lutam contra discriminação

    SEEB Curitiba, com informações do SP Bancários

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