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  • 09/03/2018

    Mulheres bancárias na Marcha 8 de Março

    Confira o depoimento de trabalhadoras bancárias que participaram do ato.

    Marcha das mulheres ocupou as ruas de Curitiba. Foto: Gibran Mendes/CUT Paraná

    Na noite desta quinta-feira, 08 de março, as mulheres bancárias estiveram presentes na mobilização do Dia Internacional da Mulher. A Marcha 8 de março teve início às 18h, com concentração na Praça da Mulher Nua, seguindo pelas ruas da região central para a realização de cinco atos descentralizados, rumo à Boca Maldita.

    O Sindicato das Bancárias e Financiárias de Curitiba e região participou ativamente da construção da Marcha, organizada pela Frente Feminista de Curitiba, que une coletivos como a Marcha Mundial das Mulheres e a Rede de Mulheres Negras. O movimento teve a adesão de mulheres estudantes, de movimentos sociais, sindicais, populares. 

    Os cinco atos denunciaram as opressões que penalizam especialmente as mulheres, como a violência, o machismo, o capitalismo, as reformas estruturais que ocorreram no período pós-golpe, como a redução de investimentos públicos em saúde e educação e a reforma trabalhista. As manifestações também visibilizaram as diversas lutas cotidianas das mulheres, como por igualdade de direitos, de salário, de divisão de tarefas no lar e com os filhos. Mas também denunciou homicídios, estupros, feminicídios que, se atingem mulheres brancas, vitimizam o dobro de mulheres negras.

    "É preciso que todas tenhamos consciência que umas das soluções para os problemas denunciados na marcha é mais mulheres na política. Quando nós deixamos de eleger mulheres e votamos em homens, não temos representatividade para nossas pautas", afirma Cristiane Zacarias, diretora da Secretaria de Cultura do Sindicato.

    O ato final da Marcha foi construído pelas trabalhadoras bancárias, quando foi utilizado um caldeirão simbolicamente para queimar cartazes contra a reforma trabalhista, a reforma da previdência, as privatizações, as opressões, a terceirização, o machismo, a violência, a intervenção militar, o trabalho precário. É na coletividade que simbolicamente as mulheres se posicionam pelo direito de ir e vir, de ocupar as ruas e de vestirem o que quiserem.

    Confira alguns registros da Marcha 8 de Março, com fotos gentilmente cedidas pelos fotógrafos, e o depoimento de trabalhadoras bancárias que participaram do ato: 

    "Gratificante! Saber que estamos Unidas para um unico proposito! Participar da marcha 8M deixa bem claro que juntas venceremos!", Gisele Falat, diretora da Secretaria da Igualdade e da Diversidade do Sindicato.


    Mulheres bancárias na Marcha de 8 de Março. Foto: Gibran Mendes/CUT Paraná

    "Fiquei muito emocionada com o mar de mulheres na marcha ontem. Quando diversas gerações se manifestaram juntas. Pensei muito nas marchas das professoras nos anos 80, quando bem jovem eu acompanhava minha mãe pelas ruas desta mesma cidade! Queríamos e queremos um pleno estado de direito democrático, ontem e hoje... Não aceitamos a violência, a morte, o assédio, por sermos mulheres! Queremos respeito!", declarou Ana Smolka, diretora da Secretaria de Formação do Sindicato.


    Maria de Fatima Costamilan e Cristiane Zacarias. Foto: Sirlei Fernandes.

    "A marcha 8M em todo o Brasil e no mundo marca a resistência aos retrocessos machistas e misóginos que permeiam o momento político e que tentam "coisificar" a mulher e jogá-la ao século 18. Em Curitiba várias entidades e organizações estiveram presentes com suas palavras de ordem. A presença da juventude foi decisiva e mostra que as novas gerações não vão compactuar com as desigualdades", afirma Marisa Stedile, diretora da Fetec-CUT/PR.



    Vandira Martins e Ana Smolka. Foto: Sirlei Fernandes.

    "Entre as tantas jornadas de trabalho, as mulheres, ao marcharem unidas pelas ruas no 8M gritando pelos seus direitos, são a prova viva que ainda vivemos numa sociedade machista, misógina, racista e com um índice inaceitável de violências contra a mulher. Precisamos reverter isso em nosso país, onde um governo totalitário de homens brancos, ricos e machistas retiram direitos e violam o censo moral e ético da nossa sociedade. Quantas marchas ainda teremos que fazer pela vida das mulheres!?",protesta Maria de Fatima Costamilan, diretora da Secretaria Geral da Fetec-CUT/PR.

    Mulheres bancárias na resistência. Foto: Sirlei Fernandes.


    O 8 de março é um dia para lembrar das mulheres que iniciaram a luta feminista e que dedicaram, e até sacrificaram suas próprias vidas pela causa, para garantir direitos a todas as mulheres trabalhadoras, que  nasceram da luta de mulheres operárias. Não é uma data de comemorações, é um dia para lutar por condições dignas de trabalho, igualdade de oportunidades, direitos e justiça. Um dia de consciência política e solidariedade internacional. Um dia de luta para acabar com a discriminação bem como com o feminicídio e a misogenia. Quando as mulheres avançam na conquista de direitos, a sociedade como um todo avança junto. A divisão sexual do trabalho tem uma função social que ultrapassa os fatores econômicos e trabalhistas, tem caráter de dominação dos homens sobre as mulheres, porque o capitalismo foi estruturado sobre a subordinação das mulheres. Faz-se necessário a adesão de mulheres de todas as vertentes da sociedade para que esta luta ganhe cada vez mais visibilidade e força. Nossos ganhos caminham a passos lentos. Durante a história da humanidade os feitos em todas as esferas (artes,  ciências, cultura, política, social) efetuados por grandes e maravilhosas mulheres não tiveram o destaque merecido, muito pelo contrário foram ocultados. Precisamos, neste momento de ataques e retirada de direitos, lutar para garantir a permanência de tudo que foi conquistado avançando, cada vez mais rumo ao empoderamento e justiça para a mulher trabalhadora", declarou Vandira Martins de Oliveira, diretora da Secretaria da Mulher da Fetec-CUT/PR.
    Paula Padilha SEEB Curitiba

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