Geral

  • 04/12/2018

    Com lucros exorbitantes, bancos deveriam criar empregos

    Ao invés disso, setor eliminou 1.574 postos de trabalho entre janeiro e outubro.

    Os bancos, um dos setores mais lucrativos da economia brasileira, cortaram 1.574 postos de trabalho entre janeiro e outubro deste ano. No entanto, o saldo do mês de outubro foi positivo, com a criação de 167 vagas. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Por outro lado, os cinco maiores bancos [Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa] lucraram R$ 65 bilhões somente até agosto desse ano. Esse resultado é 20,4% maior do que o apresentado no mesmo período de 2017. 

    Os trabalhadores estão sobrecarregados em agências e centros administrativos, devido ao número reduzido de funcionários. Vale lembrar que os bancários são uma das categorias que mais adoecem, e um dos motivos é a sobrecarga crescente e exigências constantes para bater metas cada vez maiores. Os bancos estão lucrando à custa da saúde do trabalhador e dos juros e tarifas exorbitantes que cobram dos clientes. Em troca disso, devolvem desemprego e serviços cada vez mais precarizados à sociedade.

    Caged
    Os bancos múltiplos com carteira comercial (categoria na qual estão incluídos BB, Itaú, Bradesco e Santander) tiveram saldo positivo de empregos em outubro, com a criação de 168 vagas. No entanto, o saldo de janeiro a outubro é negativo, com a extinção de 702 postos de trabalho.

    Já a Caixa, que ocupa sozinha a categoria caixas econômicas do Caged, teve saldo negativo em outubro (- 14 empregos) e negativo também no acumulado do ano (janeiro a outubro): já cortou 1.035 postos de trabalho. O que deve se agravar ainda mais com o
    novo PDE (Programa de Desligamento de Empregado) aberto pelo banco público, cujo objetivo é dispensar mais 1.626 empregados. Os empregados tinham até 30 de novembro para se apresentar, mas o banco ainda não divulgou quantos sairão.

    Os cinco maiores bancos que atuam no país são responsáveis por 90% dos empregos bancários.

    Rotatividade
    Entre janeiro e outubro, os bancos admitiram 24.881 trabalhadores e desligaram 26.455. Essa rotatividade também diminui os gastos com mão de obra, uma vez que os admitidos entram ganhando bem menos que os que saíram. Em média, o salário de quem entrou é 66% da remuneração de quem saiu, segundo o Caged.

    SP Bancários