Caixa Econômica

  • 21/02/2018

    Em 2017, Caixa desligou 279 bancários em Curitiba e região

    Contratação de mais empregados é essencial para dar condições aos trabalhadores do banco.

    Segundo levantamento da Secretaria de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região, a Caixa Econômica Federal desligou 279 empregados no ano de 2017 na base da entidade. Um aumento de mais de 150% em relação aos números de 2016, quando foram desligados 107 trabalhadores em Curitiba e região. “O principal agravante, contudo, é que nenhuma destas vagas foi reposta. Ou seja, a Caixa incentivou a saída de muitos bancários com os PDVs e não contratou absolutamente ninguém”, destaca Genesio Cardoso, dirigente sindical.

    Vale acrescentar que, nos últimos três anos, a Caixa realizou vários Planos de Demissão Voluntária (PDV), reduzindo seu quadro em quase 15 mil funcionários no Brasil. Por outro lado, o número de operações realizadas aumentou consideravelmente, por conta de ações do Governo, como o pagamento do FGTS inativo e, no caso de Curitiba, a aquisição da folha de pessoal da Prefeitura, com aproximadamente 50 mil contas. “Os resultados dessa combinação nefasta são a população sem o atendimento necessário e os empregados que continuam no banco sem condições adequadas, adoecendo em virtude da sobrecarga de trabalho”, afirma o dirigente.

    Gestão que adoece e mata
    Há bastante tempo, o Sindicato vem denunciando que a precarização das condições de trabalho na Caixa – devido à falta de empregados, cobrança de metas abusivas e jornada extenuante, além das ameaças de retirada de função e transferências compulsórias – tem causado adoecimento de todo o quadro. Em visitas realizadas às unidades, os dirigentes sindicais têm constatado que o número de bancários afastados por adoecimento é assustador, bem como a quantidade de empregados trabalhando sob efeito de medicação controlada.

    Em consulta realizada em 2017 pela entidade, os bancários da Caixa apontaram a saúde e o fim do assédio moral como as prioridades da categoria. 21% dos que responderam o questionário declararam já terem sido vítimas de assédio moral no banco e mais de 20,7% confirmaram estar fazendo uso de medicação controlada. “Mas as denúncias realizadas pelo Sindicato não sensibilizaram a direção do banco, que continua precarizando as condições de trabalho. Tal situação tem levado os empregados da Caixa ao desespero”, destaca Genesio Cardoso. Em Curitiba e região, somente nos últimos três anos, cinco empregados do banco cometeram suicídio.

    Desmonte
    A Caixa, que já chegou a ter 101 mil empregados em 2014, atualmente, conta com apenas 87 mil trabalhadores em todo o País. Mesmo sendo um banco essencial para o desenvolvimento do Brasil, o Governo Temer, desde que assumiu, vem promovendo um verdadeiro desmonte da instituição financeira. As medidas incluem fechamento de agências, redução de funcionários por meio de programas de incentivo à aposentadoria e não contratação de novos empregados.

    “É urgente que o governo estanque o processo de desmonte da Caixa e contrate mais funcionários para restabelecer o atendimento digno que a população brasileira merece e dar condições para os empregados que continuam trabalhando no banco”, finaliza Genesio Cardoso.

    Renata Ortega SEEB Curitiba