Caixa Econômica

  • 23/02/2018

    Caixa pretende desligar mais 2.964 empregados

    Empresa anunciou mais um PDE, mesmo com as péssimas condições de trabalho em todas as unidades.

    A Caixa Econômica Federal anunciou ontem, 22 de fevereiro, mais um plano de incentivo de demissões, chamado de Plano de Desligamento de Empregado (PDE/2018). Em comunicado encaminhado aos gestores das unidades, o banco informou o período e as formas de adesão, as exigências para aderir, os benefícios e também o limite de 2.964 desligamentos. “Após contabilizar quase 15 mil empregados a menos, se comparado a 2014, a Caixa anuncia que pretende desligar mais 3 mil. Considerando as atuais condições de trabalho, mais um PDE neste momento é um absurdo. O banco deveria estar contratando, não desligando!”, avalia Genesio Cardoso, diretor do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região.

    O prazo para aderir ao PDE começa nesta hoje (23) e seguirá até 5 de março, com os desligamentos ocorrendo entre 01 e 12 de março. Conforme o comunicado, estão aptos a aderir os aposentados pelo INSS ou que podem se aposentar até 31 de dezembro deste ano. Também podem aderir trabalhadores com no mínimo 15 anos de efetivo exercício de trabalho e aqueles com adicional de incorporação de função de confiança, cargo em comissão ou função gratificada até a data de desligamento.

    “Essa ação faz parte do projeto para enfraquecer o caráter 100% público da Caixa e os interesses dos empregados, com a retirada de direitos. Fica nítido ainda que a abertura de novo plano de demissão se mistura a medidas como fechamento de agências e áreas meios, mudanças no Saúde Caixa, revogação do RH 151, ataques à Funcef e ao FGTS e a menor oferta de crédito. Tudo muito parecido ao proposto para os bancos públicos nos anos 1990. Resistimos lá e o faremos agora também”, afirma o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

    Péssimas condições
    Há bastante tempo, o Sindicato tem denunciado as péssimas condições de trabalho na Caixa. Além dos casos de suicídios divulgados recentemente, a entidade tem acompanhado cotidianamente o adoecimento de todo quadro de funcionários. Em consulta realizada em 2017 pela entidade, 21% dos empregados que responderam ao questionário declararam já terem sido vítimas de assédio moral no banco e mais de 20,7% confirmaram estar fazendo uso de medicação controlada. Um grande número de afastamentos por adoecimento do trabalho também tem sido contabilizado.

    “Num cenário como este, um plano de incentivo às demissões vai piorar ainda mais as péssimas condições de trabalho. Sabemos que a saída é contratar os aprovados no concurso com urgência, repondo todas as vagas, para assim garantir a Caixa 100% pública e indutora do desenvolvimento do País”, conclui Genesio Cardoso.

    Renata Ortega SEEB Curitiba, com informações da Fenae