Caixa Econômica

  • 08/06/2018

    34º Conecef: Para bancários da Caixa, momento é de resistência

    Saúde Caixa e defesa do papel público do banco também foram debatidos.


    Foto: Contraf-CUT


    Foi aberto nesta quinta-feira, 07 de junho, em São Paulo, o 34º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que reúne cerca de 400 trabalhadores do banco de todo o país, entre delegados, observadores e convidados. Logo no início do evento, lideranças sindicais e do movimento associativo ressaltaram a importância de intensificar a mobilização em defesa da Caixa 100% pública e contra a retirada de direitos. Os dirigentes lembraram que o momento é de resistência aos ataques contra a empresa e seus trabalhadores.

    “O processo eleitoral vai ditar o futuro da Caixa e das demais estatais. Todos nós empregados e aposentados precisamos estar mobilizados afim de evitar que a Caixa seja desmontada. Os ataques vêm se intensificando e precisamos estar preparados para resistir”, destacou o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

    A unidade do movimento sindical e associativo foi outro ponto destacado durante a abertura da Conecef. O próprio slogan do Congresso traduz esse sentimento: “Juntos somos mais”. 
    “Precisamos atuar com unidade e mobilizados para defender nossos direitos e a manutenção da Caixa 100% pública”, enfatizou Fabiana Uehara, representante da Contraf-CUT.

    Nenhum direito a menos
    O primeiro painel do Conecef girou em torno das consequências desastrosas para os trabalhadores das reformas previdenciária e trabalhista. Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência nos governos Lula e Dilma, disse que a proposta do governo Temer não é uma reforma, mas um desmonte da Previdência Social. Dentre os pontos negativos do projeto, que tramita no Congresso Nacional, estão a retirada dos direitos das mulheres, dos trabalhadores rurais e o fim da aposentadoria especial.

    “Até agora a sociedade brasileira, com a mobilização dos trabalhadores, resistiu ao desmonte da Previdência, mas o governo depois das eleições vai colocar o projeto novamente em votação, o Temer já disse isso”, alertou Gabas. Segundo ele, a Previdência não é deficitária conforme alega o governo. Aponta ainda que despesa previdenciária se mantem estável há mais de uma década e que até 2015 a previdência mantinha superávit na despesa urbana. “A receita caiu absurdamente depois de 2015 devido ao desemprego e a crise econômica aprofundada pelos golpistas”, acrescentou o ex-ministro.

    A necessidade de mobilização contra as reformas do governo também foi destacada pelo advogado José Eymard Loguércio, que integra a Assessoria Jurídica da Fenae. Ele falou sobre os impactos da nova lei trabalhista. “Quando se destrói direitos sociais, está se acabando com a cidadania”, frisou Eymard. Segundo o advogado, os trabalhadores não podem esperar que o Judiciário revise a legislação aprovada em tempo recorde pelo Congresso Nacional, porque isto dificilmente acontecerá.

    A reação contra a reforma trabalhista, que teve como principal objetivo retirar direitos e desestruturar a organização dos trabalhadores através dos sindicatos, deve vir da sociedade, apontou Eymard. O advogado revelou que já existem ações na Justiça questionando vários pontos da lei como o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, trabalho intermitente, o acesso à Justiça, entre outros.

    Saúde Caixa
    Albucacis de Castro, médico e assessor do GT Saúde Caixa, fez uma explanação sobre o histórico e a importância do plano de saúde dos empregados da Caixa. “É importante os trabalhadores defenderem o Saúde Caixa e buscarem melhorá-lo”, afirmou. Ele lembrou que o Saúde Caixa acumulou superávit que em 2016 chegava a R$ 670 milhões. E que os dados referentes ao ano passado ainda não foram divulgados pelo banco.

    Um Manifesto em Defesa do Saúde Caixa foi distribuído com os participantes do 34º Conecef. Durante o debate, um ato na plenária marcou o reforço do lançamento da campanha nacional “Saúde Caixa: eu defendo”, lançada pela Fenae, Contraf-CUT, Fenacef, Fenag, Advocef, Aneac e Social Caixa.

    Caixa 100% pública
    Durante a tarde, o tema em debate foram os ataques ao banco. O painel “Caixa 100% pública” contou com a participação da deputada federal Erika Kokay (PT-DF); da representante dos empregados no Conselho de Administração do banco e diretora da Fenae, Rita Serrano; e de Felipe Miranda, do Dieese, assessor da Federação. Após o debate, foi lançado o livro “Caixa, banco dos brasileiros“, da Coleção Fenae.

    Rita Serrano disse que a política do governo para a Caixa deixa clara a tentativa de desmonte, que se dá com as iniciativas para alterar o Estatuto da empresa. Primeiro, visando a sua transformação em Sociedade Anônima, e mais recentemente com a “privatização” da gestão. Segundo ela, o CA prepara nova mudança estatutária que, se aprovada, atingirá diretamente as carreiras dos empregados e ameaçará a função pública e social da instituição. O colegiado quer acabar com a prerrogativa dos trabalhadores concursados ocuparem Diretorias Executivas, a Diretoria Jurídica e o posto de Auditor Chefe.

    Segundo a deputada Erika Kokay, o governo Temer adota com a Caixa a mesma estratégia que vem sendo utilizada com outras empresas públicas. “Usa o discurso de que as empresas públicas são espaços de corrupção ou de ineficiência para justificar a privatização”, explicou. E acrescentou: “a intenção é que a Caixa deixe de ser um banco 100% público e passe a ter a variável, a estratégia de mercado dominando a sua função”.

    Felipe Miranda, do Dieese, assessor da Fenae, apresentou números que mostram a importância da empresa para o Brasil. “A Caixa é extremamente eficiente”, enfatizou ele, ao comentar os investimentos em habitação, infraestrutura, dentre outras áreas. “É extremamente importante que a gente defenda o que é público”, disse.

    Lançamento de livro
    De autoria da representante dos empregados no CA da Caixa, Rita Serrano, o livro “Caixa, banco dos brasileiros“ foi lançado durante o Conecef. A publicação faz parte da coleção Fenae. “Nós decidimos lançar essa coleção para contribuir com a formação política dos colegas, ideia que surgiu a partir da implementação da Rede do Conhecimento, plataforma de cursos da Fenae e das Apcefs”, esclareceu o diretor de Administração e Finanças da Federação, Cardoso. O primeiro livro foi “Bancos Públicos do Brasil”, cujo autor é o economista Fernando Nogueira da Costa.

    Contraf-CUT