Caixa Econômica

  • 17/09/2018

    Presidente do Conselho de Administração quer aparelhar a Caixa

    Indicados pelo Planalto atuam para diminuir a Caixa e entregar operações ao sistema financeiro.

    Adiada na semana passada, o Conselho de Administração (CA) da Caixa Econômica Federal deve votar ainda esta semana a alteração do Estatuto para permitir que diretorias da área de controle (Jurídica, Auditoria e Corregedoria) sejam ocupadas por servidores efetivos federais de setores afins. Há quase 30 anos, esses cargos podem ser preenchidos apenas por empregados concursados do banco.

    Para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, trata-se de mais uma medida de Ana Paula Vescovi, que preside o CA, para aparelhar a Caixa. “Assim tem sido a condução dela à frente do Conselho, seguindo a cartilha do atual governo. Com exceção da nossa representante no CA, Rita Serrano, eleita pelos trabalhadores, os demais membros são indicados pelo Planalto e atuam para diminuir a Caixa e entregar as operações para o sistema financeiro privado”, diz.

    A proposta que acaba com a exclusividade dos empregados assumirem diretorias da Caixa já havia sido feita por ocasião do debate do novo Estatuto, em outubro de 2017, mas foi retirada do texto devido à grande resistência de entidades e bancários. Em maio deste ano, a imprensa ventilou o retorno da proposta, o que foi alvo de ações populares que conselheiros respondem até hoje. Já em agosto, o Conselho de Administração anunciou que os próximos vice-presidentes serão escolhidos em processo seletivo externo, conduzido por consultoria privada.

    “Essas são medidas que, a pretexto de reforçar a eficiência e fazer uma melhor gestão, miram na privatização como objetivo final, destroem a carreira dos trabalhadores e abrem espaço para indicações político-partidárias. Melhorias na governança são bem-vindas. Isso, porém, não pode ser feito à custa do enfraquecimento da empresa e da desvalorização dos empregados. Os bancários da Caixa têm qualificação acima da média do mercado, o que reforça que as mudanças não se justificam”, acrescenta Jair Ferreira.

    O presidente da Fenae acrescenta: “Essa narrativa privatista é a mesma que foi adotada na década de 1990 e, com muita luta, foi derrotada. O mesmo que fizemos quando surgiu a proposta para transformar a Caixa em uma Sociedade Anônima. Mais uma vez, temos que combater qualquer plano que signifique retrocesso na atuação da Caixa e a privatização da gestão. E uma das formas é, antes de decidir o voto nas eleições deste ano, avaliar o que pensam os candidatos sobre a importância das empresas e dos serviços públicos”.

    Contraf-CUT