Banco do Brasil

  • 12/12/2017

    BB: Superintendência nega divulgar critério de descomissionamento

    Sindicato repudia política do medo implantada pelo Banco do Brasil contra seus funcionários

    Na tarde desta segunda-feira, 11 de dezembro, o novo superintendente do Banco do Brasil no Paraná, Marcelo Palhano, recebeu as diretoras do Sindicato de Curitiba Ana Smolka e Patrícia Carbonal, o diretor Alessandro Garcia, e a diretora da Fetec Daniele Bittencourt para tratar de uma extensa pauta de problemas nas condições de trabalho, incluindo os descomissionamentos arbitrários e uma nova etapa da reestruturação anunciada pela imprensa mas sem o conhecimento do movimento sindical. Também participaram da reunião, realizada na sede da Superintendência de Atacado e Varejo Centro Sul, a responsável pela Gestão de Pessoas do BB (Gepes), Rainha Araújo, e o gerente administrativo da superintendência, Márcio Chiumento.

    O Sindicato cobrou de Palhano os critérios estabelecidos pelo BB para o descomissionamento de dezenas de gerentes gerais em todo o país ocorrido nos últimos dias, sendo quatro deles no Paraná (dois na base do Sindicato e os demais nas bases de Londrina e Maringá). O superintendente, que assumiu a pasta há 90 dias e recebeu o Sindicato pela primeira vez, afirmou o posicionamento do banco público como uma empresa quanto à decisão pelos descomissionamentos. "Pode acontecer com qualquer empresa. O banco tomou a decisão administrativa de descomissionar e nós cumprimos", disse Palhano.

    Os dirigentes do Sindicato reforçaram a necessidade de um esclarecimento para a base e questionaram se ele não saberia quais seriam esses critérios. "Eu sou o banco, eu tenho procuração e falo em nome do banco. Eu sei os critérios mas não quero dizer. E quem quiser me ligar eu atenderei", reafirmou o superintendente ao contar que um dos descomissionados o procurou e ele atendeu, convidando a todos os descomissionados a se sentirem à vontade para fazer o mesmo.

    Ana Smolka e Patrícia Carbonal

    "O novo superintendente se limitou a reafirmar os descomissionamentos como ato de gestão. O banco não esclarece, não tem transparência, não tem respeito com os trabalhadores", desabafa Ana Smolka. "Ficou uma situação muito ruim. São dezenas de descomissionamentos e nós não conseguimos estabelecer nenhum critério, nenhum padrão, não encaixa em nenhum perfil", reafirmou o diretor Alessandro Garcia (Vovô). "A gente quer saber o que é esse capital humano para o banco. Vocês não se importam com a carreira dessas pessoas? Se não é desvio, não é falta de ética, como vocês tratam as pessoas dessa forma? Não vai ter encaminhamento pelo banco desses administradores?", questionou Daniele Bittencourt.

    Palhano respondeu que esse "ato de gestão de descomissionamento de gerentes gerais foi decisão do banco". O Sindicato questionou o método, todos no mesmo dia e hora e que atingiu funcionários concursados em um banco que é público. "O que estão fazendo é gestão de empresa qualquer que visa somente a lucratividade, cumprindo o programa ilegítimo do governo de Temer", afirmou Ana Smolka.

    Alessandro Garcia e Daniele Bittencourt

    Notícias na imprensa - O Sindicato questionou o representante do banco sobre o novo processo de reestruturação ser anunciado nos jornais. "A gente quer sentar e conversar para uma comunicação oficial ao movimento sindical antes do banco anunciar na imprensa", disse Vovô. "Esse tipo de notícia desestabiliza brutalmente a vida e a carreira de todos os trabalhadores e entendemos que descomissionamentos sem critério e anúncios sobre o futuro incerto na imprensa é fertilizante para PDV", afirmou Ana Smolka. 

    Palhano não se posicionou sobre uma nova fase de reestruturação conforme anunciado, mas defendeu o BB como uma empresa que deve mudar para o futuro, algo que ele afirmou ter convicção.

    O Sindicato repudia a forma como as pessoas atingidas pelos novos descomissionamentos e pelo processo de reestruturação, que já dura um ano, são utilizadas pelo Banco do Brasil numa política do medo para todos aqueles que sonharam e tiveram acesso ao longo de anos a uma carreira em ascensão possível via concurso público e dedicação. "Nos sentimos frustrados pela falta de transparência e pouca ou nenhuma explicação, nem do Superintendente, e menos ainda da Gepes", finaliza Ana Smolka.
    Paula Padilha SEEB Curitiba