Banco do Brasil

  • 20/06/2018

    Bancários param Gepes contra mudanças na Cassi

    Ato nacional em defesa da Cassi solidária e de autogestão, que sofre ataques do governo pós-golpe

    Na manhã desta quarta-feira, 20 de junho, o Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região realizou um ato em defesa da Cassi com mobilização na sede da Gestão de Pessoas (Gepes), como forma de mandar o recado dos trabalhadores ao banco.

    O BB quer modificar a forma de custeio da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), quebrando a solidariedade e retirando direitos dos associados. Outra denúncia feita pelo movimento sindical foi a pressão que os gestores do BB estão fazendo junto aos associados para forçar a aprovação da proposta, sob a justificativa do déficit do plano.

    “Essa proposta do BB exclui os funcionários. A gente não acha certo o banco forçar a aceitação da proposta. Nós temos uma proposta para a Cassi, sustentável, que preserva investimentos em saúde da família”, explica Ana Busato, representante do Paraná na Comissão de Empregados do BB.

    Ela alertou que o BB implantou de forma antecipada as modificações da Resolução 23 da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), que determina as alterações nos planos de auto-gestão, realizando concurso público sem prever a disponibilização da Cassi.

    Entre as mudanças na Cassi propostas pelo BB estão aumento de custeio pelo participante, em 4%, para no futuro igualar com o custeio pelo BB, em 4,5%; implantar contribuição por dependente; estabelecimento de teto de 8% do salário para a contribuição, sendo que a maioria atualmente paga até 3%; aumento do valor de co-participação.

    Alessandro Garcia (Vovô), conselheiro do Conselho de Usuários da Cassi-PR, afirmou que essa nova forma de gestão da Cassi que quer compará-la aos planos de saúde de mercado é política do governo pós-golpe de 2016. “Mas que mercado é esse? Vamos comparar nosso plano com os privados, que deixam vidas na mão?” Ainda assim, segundo Vovô, a Cassi tem um custo 43% mais barato para o Banco do Brasil, comparado com planos de saúde do mercado. Vovô explicou que o discurso de que mais da metade dos assistidos não paga o plano não se justifica, pois a média é de 1,12 dependente por funcionário participante. O dirigente também lembrou que o BB se recusa a retomar as negociações sobre a Cassi com o movimento sindical.

    Pablo Diaz, diretor do Sindicato, falou sobre a representação do BB no mercado financeiro, uma empresa com a 9ª maior rentabilidade do mundo, em que mesmo com os juros caindo, o lucro continua aumentando. Ele afirmou que a cobrança de metas tem prejudicado a qualidade de vida e a saúde dos bancários do BB. “Tenho certeza que os trabalhadores da ativa custam tão caro quanto os aposentados por causa das condições de trabalho. Se o banco tem o discurso de valorizar as pessoas, deve valorizar quem cuida das pessoas, valorizar a Cassi”. O dirigente apelou para a consciência e cidadania dos bancários na avaliação da proposta do BB para a Cassi. “Peço que votem não”, diz.

    A proposta dos trabalhadores para a Cassi será disponibilizada em breve. A primeira rodada de negociação específica com o Banco do Brasil da Campanha Nacional dos Bancários de 2018 será realizada no dia 29 de junho, em São Paulo.

    O dia de mobilização continua com atividades do Sindicato nas sedes do BB nos shoppings Estação e Palladium, onde estão localizados setores administrativos Cenop operações, Cenop serviços, Cesups, Ditec e escritórios digitais.

    Unidade dos trabalhadores bancários

    O ato nacional em defesa da Cassi e contra a quebra de solidariedade no plano de saúde de autogestão uniu, além de bancários do BB, trabalhadores de outros bancos. O dirigente sindical Antônio Fermino, funcionário da Caixa, explicou que ainda nesta quarta um ato seria realizado também em defesa do Saúde Caixa, que passa pelos mesmos ataques do governo pós-golpe, assim como nas demais empresas públicas. “Tratam nossa conquista e a defesa de nossa saúde como privilégio”, denuncia. “Nessa campanha salarial vamos precisar de unidade”.

    O presidente do Sindicato de Curitiba, Elias Jordão, bancário do Bradesco, afirmou que a Cassi é um dos melhores planos de saúde do Brasil, sendo um dos atrativos para quem presta concurso e também pela manutenção do emprego e que esse ataque aos trabalhadores é parte do processo de reestruturação do BB. “Querem economizar justamente onde não deveria, na saúde”. O dirigente também alertou que essa fragilização é parte de articulação meticulosa do governo Temer, que pretende entregar Caixa, BB e Petrobrás para os mercados.

    Paula Zarth Padilha SEEB Curitiba