Opinião

  • 06/07/2016

    84 anos do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região

    Elias Jordão, presidente da entidade, relembra as principais lutas da categoria bancária.

    No dia 06 de julho de 1932, há exatamente 84 anos, começava a história do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. Muito embora esta seja a data formal da fundação pela legislação vigente da época, é evidente que a trajetória de uma entidade com 84 anos de história e com a representatividade que tem hoje não começa no seu reconhecimento legal, até porque toda a história dos trabalhadores e suas entidades tem sido forjada na luta e na resistência.

    Já desde 1920, os bancários discutiam a possibilidade da criação de entidades que representassem seus interesses enquanto trabalhadores, visto que a relação com os empregados era marcada pelo autoritarismo por parte dos patrões, que assim como hoje já exploravam os trabalhadores com jornada de 12 horas diárias e demais regras estipuladas pelos patrões, com raros direitos para seus funcionários.

    É neste contexto nacional, com o crescimento da insatisfação pelas precárias condições de trabalho, que os bancários do Paraná começaram sua organização sindical no estado, criando, em Curitiba, o Sindicato de Funcionários Bancários do Paraná, nomeado atualmente como Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários e Financiários de Curitiba e região.

    Nesses 84 anos, muitas conjunturas e momentos se passaram; de lá para cá, esta entidade tem muito que contar do que passou para defender os interesses da sua categoria e dos trabalhadores. Logo depois de sua criação, tanto o movimento sindical como os sindicatos de bancários do país enfrentaram seus primeiros desafios, que foram o estado de exceção de 1937 a 1945, 1947 e 1964. Períodos estes em que, em nome da suposta segurança nacional ou da governabilidade, os trabalhadores que se manifestavam eram considerados esquerdistas ou comunistas e representavam uma ameaça à soberania nacional, sendo, na maioria das vezes, cerceados de seus direitos reivindicatórios com muita perseguição.

    Passados estes períodos, depois de muita resistência, já no pós-ditadura, nossa entidade enfrentou um novo desafio: os anos dos governos assumidamente neoliberais ,que entregaram boa parte do patrimônio público brasileiro à iniciativa privada, medidas estas que não trouxeram nenhum benefício aos trabalhadores e à sociedade. Novamente, lá estava o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região resistindo junto com os demais movimentos à privatização da Vale do Rio Doce, maior crime lesa-pátria da época, do Banestado, da Copel e ao desmonte da Caixa Econômica e do Banco do Brasil promovidos na época, sem nunca esquecer os interesses imediatos da nossa categoria.

    Recentemente, mais uma vez, o Sindicato foi protagonista junto com os demais sindicatos de outras categorias na luta contra o famigerado PL 4.330, da terceirização. Hoje, nossa entidade é uma referência de luta para as demais categorias, sobretudo na defesa dos interesses dos bancários. É reconhecido ainda como um sindicato-cidadão, que atua nas mais variadas frentes de interesse da sociedade como um todo, pois tudo que afeta à sociedade afeta diretamente aos bancários.

    Nos seus 84 anos de lutas, já se preparando para seu jubileu dos 85 anos, o Sindicato se mantém fiel ao artigo 2º do seu estatuto, que diz: "Constitui finalidade principal do Sindicato: ser uma organização sindical de massas, de caráter classista, autônoma e democrática, cujos fundamentos são o compromisso com a defesa dos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora no ramo financeiro; a luta por melhores condições de vida e trabalho; e o engajamento no processo de transformação da sociedade brasileira em direção à democracia e à justiça social".

    Elias Jordão SEEB Curitiba

Articulista

#@titulo@# Elias Jordão Presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região e funcionário do Bradesco.

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